quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Cachorro de Rua

 

Às vezes me sinto como um cachorro de rua. Aquele que foi adotado por uma família e finalmente descobriu o que é o amor. Mas, por ser criado pelo mundo, às vezes sentia que não me cabia ali. Era ordem demais! "Não se deve latir." "Não suba no sofá!" Poxa, eu só queria ser eu mesmo! Eu fui criado na rua e agora que eu tenho tudo que desejava, uma casa, comida e uma família que me ama, parecia ser tudo aquilo que eu precisava.

Com o tempo, as coisas foram deixando de ser fáceis. Uma reclamação aqui e outra ali passaram a não ser suficientes pra mim. Nada me corrigia. Até que um dia, depois de tanto ser xingado, fui agredido, porém resolvi revidar. E não teve outra. Foi justamente por tentar ser eu mesmo que fui mandado embora. 

Minha dona não gostou nada do que viu. Pior! Me enganou. Me colocou dentro de um carro, me enchendo de promessas e me deixando todo alegre. Mas justamente, quando estávamos no meio do nada, ela me tirou daquele carro e ali me deixou. Eu, com medo e perdido, não sabia o que fazer. Minha dona já não sabia mais onde eu estava. E muito menos sabia eu seu endereço. É claro que não sabia! Afinal nunca precisei decorar. 

Agora me encontro assim. Seguindo em frente, pois não conseguiria sobreviver no meio daquele nada. Segui adiante, assustado e sem rumo. Solidão ou liberdade? Eu já não sei. Só que eu vim das ruas. Sei muito bem como agir por essas áreas. Às vezes lembro dela e dos bons momentos que tivemos juntos. É triste pensar que um dia tive tudo o que sempre sonhei - casa, comida e amigos - e triste pensar que teve seu fim. Só que eu sempre fui assim, um cachorro bem vagabundo.

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