segunda-feira, 20 de julho de 2026

A Porta Para O Outro Lado


Eles são loucos,

Crescentes,
Dançando entre a noite
Em um turbilhão de fogo e caos.

Esse mundo está chamando
De volta a chama inicial.
Esse mundo está morrendo
Esperando por você e eu.


Nos reconstruímos da fumaça púrpura

Onde o vento sopra pro norte,
Nos guia para o frio,
Onde nos resta só a morte.


A mulher-anja retornou para abdicar-se de seu trono
Sua Terra Natal já não é mais a mesma.


Onde havia percussionistas ossudos
cultuando um falso Deus,
Agora há a luz limpa da esperança
que pernoita em nossas cabeças.


E todos a avistam,
Com suas mentes explodidas,
De tanto conhecimento que Deus

lhe concebeu.


E de longe,
A mulher-anja sorri
Abraçada ao seu homem-estrela.


E pelo deserto da transcendência
nós passamos,
Atravessando as dunas do passado,
Rumo a um futuro desconhecido,
Rumo ao outro lado…


06/09/16

terça-feira, 14 de julho de 2026

*Poesia Sem Nome #07*



Foi na presença da morte que aprendi a me reerguer.

Foi me perdoando que aprendi a prosseguir.

Foi na escuridão que aprendi o valor da luz,

Pois não existe cima sem baixo,

Não existe amor sem dor.


24/07/2024

*Poesia Sem Nome #06*

 

Lá fora,

Um silêncio cortado

Pelo vento frio da manhã.


Aqui dentro,

Um calor quase uterino,

Aquecendo o corpo


E a alma,

E uma cabeça cheia de sonhos.

Pensando:


"É aqui que eu preciso estar".

Esperando,

Pelo sino da morte 


Cujo ressoar

 há de cortar 

E romper o reino de véu


E me colocará

Sobre os trilhos da realidade

Onde, em marcha, eu devo


SEGUIR

SE-GUIR

SE

GUIR

e

ser.

Desmitificação

 

E se no final for somente isso? 

Uma estranha melancólico acompanhada de trovejantes felicidades.

Uma leve sensação de estagnação, junto de um punhado de mudança.

Uma vontade incrível de viajar pelas estradas da vida

E um desejo implementado por uma falsa esperança,

Uma falsa melhora,

Uma falsa estadia de paz.

Uma cena do filme que nunca chegaremos a ver. Porque,

Por mais que o roteirista da vida tenha formulado,

O diretor lá de cima se recusa a filmar.


Talvez não exista nada, 

Só sonhos marcados pra morrer.

E aqui estou no meio desse maremoto,

Sem saber pra que lado guiar meu barco.

Sem saber o verdadeiro destino dessa viagem.


terça-feira, 2 de junho de 2026

*Poesia Sem Nome #05*

 

Ondas balançam inquietantemente,

Enquanto a areia cobre nossos pés.

Seu cabelo toca meu rosto

Numa sinfonia decatônica,

Numa agonia simétrica.

Nós rimos e nos beijamos,

Dançamos

Pela noite adentro,

Sabendo que o sol tocará nossos cabelos

E que ainda sorriremos um para o outro.

Por ora,

Eu só queria que esta noite nunca acabasse.





Restless waves swaying

And sand covering our feet

Your hair touches my face

In a decatonic symphony,

In a symmetric agony

We laugh and kiss

And dance

Throughout the night

Knowing that the sun will kiss our hair

And we will still be smiling at each other

For now,

I just wish this night would never end.





segunda-feira, 17 de março de 2025

Ode ao acaso

 

O poema a seguir foi um exercício praticado em uma aula de Artes. A tarefa era escolher alguma reportagem (a qual foi sobre terror slasher) e recortar diversas palavras. As palavras eram colocadas em algum recipiente onde tive de pegar sem ver e formar uma poesia feita ao acaso. A cada palavra tirada um verso aparecia.



Podridão humana
desconhecido
pulsa
  humanidade
psicológico
sangue
  cruas
 irreal
 o medo
Pesadelo
Slasher
Terror


Podridão Humana
Humanidade
Cruas
O Medo 
Slasher
Terror


Pulsa
Sangue
Pesadelo
Terror


Desconhecido
Psicológico
Irreal
Terror


Data: 11/03/2025



Things Have Changed: Entendendo os significados da música de Bob Dylan


O comentário de Dylan em estar deslocado do mundo, mesmo estando junto a ele - aqui, mas não aqui - se espalha múltiplas vezes em suas canções. Nunca esteve lá desde o começo - Times they are a-changing lançou uma certeza que corria em várias outras canções antigas.

O problema com Times, no entanto, era que a canção mais famosa de Dylan estava fora de sincronia com o resto do álbum, que dizia claramente que os tempos não estavam mudando e que, por exemplo, os horrores da pobreza e exploração rural, ou do racismo e da injustiça, estavam preso na sociedade e nas políticas americanas. 


Então que coisas mudaram? Bem, apenas porque o cantor que antes costumava a se importar, mas agora nem se dá o trabalho de fazer isso.

De fato, foi isso o que Dylan disse abertamente quando ele ganhou o seu Oscar - ele a chamou de uma música que "não anda com rodeios nem faz vista grossa para a natureza humana."

Claro que musicalmente, a partir do desenvolvimento de seu imagético surreal que chegou com o desenvolvimento da instrumentação voltada para o rock no trabalho de Dylan, é possível encontrar mudanças. Mas em termos de natureza humana, do momento em que "Hollies Brown puxa seu gatilho" e "a noite começa a pregar peças quando está tentando ficar quieto" tudo começa a se desmoronar para sempre. Bob tem seus momentos de felicidade em momentos como no interlúdio Country Pie ou em momentos parecidos, mas a sensação que ele deixa em suas obras refletem em como ele é, às vezes se importando e às vezes não.

 Nessas canções, existe uma certa frequência em que o ouvinte se pergunta "O que está acontecendo?" Seja dentro ou fora da música. Mas, se há uma canção onde mais se encontra essa indagação é em "Things Have Changed".


Um homem preocupado
Com uma mente preocupada
Ninguém na minha frente
E ninguém atrás

O verso inicial é o suficiente para guiar o destino da canção, ou melhor, que não se faz ideia de qual direção ela poderá ir. E quando menos se espera, o ouvinte percebe que o cantor está falando sobre uma mulher "bebendo champanhe, com sua pele branca e olhos de assassino."

"Olhos de assassino? O que seriam olhos de assassinos?" Não fica bem claro, já que ela vem de outro mundo. Aqui, o deslocamento é completo. A única certeza é de que há um olhar e pronto.


De pé na forca
Com a cabeça em uma corda
A qualquer momento
Espero que o inferno se espalhe

Neste mundo, as pessoas vêm e vão, falando, mas sem dizer nada. O passado ainda não aconteceu, o futuro foi ontem. Eu sou você, você é ele e ele não é. T.S. Elliot chuta seu verso para o subconsciente de Dylan mais uma vez: 

Ruas que seguem como um argumento tedioso

De intenção insidiosa

Para levá-lo a uma pergunta esmagadora

Oh, não pergunte "O que é?"

Vamos fazer nossa visita

Na sala as mulheres vêm e vão

Falando de Michelangelo.

A névoa amarela que esfrega suas costas nas vidraças,

A fumaça amarela que esfrega seu focinho nas vidraças,

Lambe suas línguas nos cantos da noite,

Permanece sobre as poças que ficaram nos ralos


É claro que ele deveria estar em Hollywood, fazendo aulas de dança, vestindo-se de Drag. Ele deveria, pois aqui já não resta nada para se provar. O problema é que em todo lugar, não há nada a se provar, a névoa amarela envolve tudo.

Sua voz está cansada e o acompanhamento controlado e bem ensaiado, o pulso moderado, não tem nenhuma tentativa de se tornar uma performance virtuosa, não há nenhuma mudança inesperada de acordes, porque não são os músicos individuais que fazem o ponto - o ponto é a situação, aquele mundo que deu errado. Naquele mundo, é possível se apegar a constância da música, porque não há outra constância. 


Sinto como se estivesse me apaixonando

Pela primeira mulher que me aparecer

Colocando-a em um carrinho de mão

E a empurrando pela rua

(Onde mais se colocaria uma mulher de olhos assassinos enquanto uma névoa amarela se enrola ao redor e as classes cultas falam sem dizer nada?)


E quando o ouvinte já se acostuma com a estranheza e começa a criar clareza com o que Dylan diz, ele subitamente...

Sr. Jinx e Sra. Lucy pularam no lago

Eu não estou tão ansioso para cometer um erro

Sr. Jinx era um personagem do desenho Pixie e Dixie. Hoje, o Sr. Jinx está disponível em diversos merchandisings. Talvez fosse um momento passageiro do personagem de desenho animado, ou talvez seja uma reflexão, para mostrar que ele também não é real. Exceto que não há distinção entre real e irreal.

E a música continua, usando sua rotina de três acordes com acompanhamento simples. O cantor não fica animado. Existe um continuum, mas continua não fazendo nenhum sentido. 


Link para a música Things Have Changed.

Link para o momento em que Bob Dylan ganha um Oscar.




Fonte: Things Have Changed: The meanings behind the Bob Dylan's song

Traduzido por: Cris del Mar