06/08/21
06/08/21
Bob Dylan já escreveu dezenas de canções de amor ao longo de sua carreira, algumas famosas como "Don't Think Twice, It's All Right", "One of Us Must Know", que adotam uma abordagem mais resignada e filosófica de um relacionamento fracassado. Outros, como "Girl from the North Country" ou "Boots of Spanish Leather", que levam para uma abordagem mais romântica, ainda que distanciada. Há aquelas, mesmo que poucas, como "It Ain't Me" ou "Just Like a Woman", que retratam uma rejeição. Durante seus anos de "retiro doméstico", ele compôs canções de devoção mais diretas, como "The Man in Me", "If Not For You" ou "Lay, Lady Lay". Por conta de sua fama e, consequentemente (ainda que fosse altamente relutante), pelo status de sua celebridade, muitos comentaristas tentaram associar suas canções aos seus relacionamentos mais conhecidos. Então se falamos de "Girl from the North Country", associamos a Echo Helstrom, sua "paixonite" de adolescência; "Boots of Spanish Leather" a sua namorada do início dos anos 60, Suze Rotolo (a mesma que aparece na capa de The Freewheelin' Bob Dylan); e outras inúmeras canções que ele compôs durante os anos de 1964-66 são sobre Joan Baez ou Sara Lownds - com quem ele se casou secretamente em Novembro de 1965. Dylan, que guarda sua vida privada de forma tão cautelosa, nunca gostou com que associassem as suas músicas com significados particulares, muito menos admitir que suas canções foram escritas para pessoas específicas.

Marcam
E fazem valer a próxima jornada
- 12/05/2024
Numa certa noite de dezembro, um belo reencontro iria acontecer. Um filho que há tempos não via seu velho pai marcara de se encontrar em um banco de uma praça. O mesmo que estavam acostumados anos antes, em sua infância.
Ambos só haviam se comunicados por cartas, pois naquela época era a forma mais comum de conversar a longas distâncias. Como o velho pai ainda morava na mesma casa, o filho não teve dificuldades quando ousou um contato.
Agora, ambos se encontram nesta estranha noite. Eles se avistam e caminham em direção ao banco. Ao se aproximar, um forte abraço reconecta esse laço tão vivo e forte como antes era.
O pai, sábio em questão, percebera o semblante de seu filho. Não parecia tão feliz ao vê-lo. Estava cabisbaixo, magro e com olheiras gigantes.
- O que foi? Não está feliz de reencontrar seu velho pai?
- Não é isso, você não entenderia - respondeu o filho aflito. - Estou feliz, estou sim. Mas...
- O que? Me diga, vamos.
- Há dias que não durmo, não consigo mais. Parece que meu mundo vai acabar. Eu não consigo parar em lugar algum, não sei mais o que fazer... - disse o filho angustiado. - São os meus erros, eles me perseguem. As coisas andam tão estranhas ultimamente, não sei se o senhor me entenderia.
- Vocês jovens tem essa mania. Vivem correndo sem pensar no dia de amanhã. Nem acreditam mais no dia de amanhã e ainda nos culpam de toda desgraça que anda acontecendo ao redor do mundo. Não existe o fim do mundo, sempre foi o fim do mundo.
- Mas você há de concordar, meu pai, que nuvens negras pairam pelo céu e que recentemente há de morar em nossas cabeças.
- Elas sempre moraram meu filho, sempre moraram... - Ele suspira enquanto olha para um céu meio nublado e meio estrelado. Percebe que a Lua se esconde por de trás das cinzas nuvens no céu. - Você está vivendo isso agora, mas confie em seu velho pai. Sei que parece difícil, porém tudo isso vai passar um dia. A vida realmente não é nada fácil. Você deve aprender a lidar com essas coisas. Traga um guarda-chuva toda vez que sentir que irá chover.
O filho sorri, concordando com o que seu pai havia dito. Os dois se entreolham por um instante. Até que a Lua resolve se desesconder. "Olha quem resolveu aparecer" pensou o filho.
Os dois ficaram ali sentados fitando aquela grande bola branca, pensavam em tudo sem dizer nada. Deixando que o silêncio os corrompessem tornando-os uníssonos com o presente instante.
Sabem caros leitores, não foi uma vida fácil para o pai. Este que tentou dar de tudo para seu filho, que batalhou e sangrou por ele, até que chegou o momento em que teve que deixá-lo ir. "Eles sempre voltam, os filhos sempre retornam para o colo de seus pais." Pensava o velho. E anos se passaram até que pudessem chegar neste momento, neste reencontro. "Não é a mesma coisa que as cartas, mas existe um penar em meu coração ao saber de tudo o que meu filho passou. E existe uma alegria ao saber que ele está vivendo, tomando seu próprio rumo, enfrentando suas próprias batalhas." Refletiu enquanto sorria com o canto da boca.
E agora que o filho reencontra seu pai, pede o perdão de seu sumiço. Mais do que isso, ele pede ajuda. Pois agora, o mesmo passa por problemas. Grandes problemas. Sua cabeça gira em perguntas mas não encontra nenhuma resposta. Ele anda confuso e a única alternativa foi buscar por aquele quem mais confia. O filho acabara de sofrer uma triste história de amor, onde muitos, inclusive seu pai, já vivenciaram. Ele havia se entregado de corpo e alma, mas quando tudo acabou, seu mundo desabou junto.
- Eu ainda não acredito no que aconteceu comigo. - disse o filho cortando o silêncio que ambos haviam criado. - Eu era uma pessoa que acreditava no amor, era sim. Sabe quando você encontra alguém e acredita plenamente que é ela a pessoa? Eu pensava que iríamos casar, ficar velhinhos juntos, toda essa baboseira romântica. Mas e agora? Não resta nada. Sonhos antigos jogados ao vento. Me sinto enganado, desolado. Pai, não sei mais o que fazer! Fiquei entregue nesse sentimento, da mesma forma que entreguei meu amor a ela. Estou imerso em algo frio e escuro. Não consigo mais dormir porque as paredes me engolem. Não sei como prosseguir...
O velho olha atônito para seu filho que chorava incondicionalmente. Não consegue conceber todas as palavras que acabara de escutar. Um sentimento profundo o assombrara, lembranças de uma outra vida que nem lembrava que existia. A verdade é que seu pai compadecia de suas dores, mas não gostaria que seu amado filho caísse na tentação e provasse dos mesmos erros que cometera quando era jovem e estúpido. Então, tomado por uma fúria que nem ele mesmo sabera de onde vinha, interrompe as queixas de seu filho.
- Você pare já com isso! Não é porque você se sente perdido que deve desistir de tudo! Você me ouviu!? - disse apreensivo e apontando dedos. - Não há razão para parar de tentar, eu estou aqui pra te ajudar a prosseguir. A vida é sim uma jornada muito árdua e você deve aprender com os erros. Mas não há motivos para desistir do amor.
- Eu só não quero deixá-la partir.
- Mas deixá-la partir você deve!
- Mas dói em vê-la ir.
- E aposto que também doeria se ainda estivesse com ela. Sabe meu filho, certas coisas acontecem pra te ensinar.
- Ensinar!? - disse enraivecido. - Eu não entraria nessa se soubesse que terminaria assim.
- Mas ninguém sabe onde as coisas vão parar. E além do mais, tudo isso passa. Sua vida não vai parar, você ainda vai ver.
- Eu só quero parar de pensar nela.
- Não é tão simples assim, fingir que ela nunca existiu não vai tirar toda essa dor dentro de você. Se você ainda pensa nela, significa que ela ainda é importante pra você, afinal, vocês dividiram uma vida juntos. Vai dizer que não a ama.
- Não, você tem razão. Eu ainda a amo... Te-tenho saudades dela.- disse gaguejando.
- Então, toda vez que pensar nela seja grato por tudo, trate ela com carinho e não com ódio. Sempre que lembrá-la deseje seu bem e assim você será capaz de seguir e ser feliz. Deixe-a ir meu filho. Tome o seu tempo, mas deixe-a ir. Quem nos ama de verdade, sempre retorna. Afinal, cá estamos, não é mesmo?
- É mesmo. - concordou o filho. Os dois sorriram um para o outro. O filho limpou suas lágrimas e retornou a olhar para a Lua. Tomou um pouco de ar e agora tentava respirar mais devagar. Seu pai agora admirava a Lua junto a ele.
- Sabe meu filho... - uma breve pausa pra dizer - A maior humildade que você deve ter na sua vida é de perceber suas fraquezas. Não somos invencíveis. Até o mais forte uma hora cai. É preciso abaixar a cabeça e aceitar que perdeu. Só que muitos se deixam abalar por isso. A derrota não é o fim, mas o começo. Um poeta uma vez disse:
"Foi na presença da morte que aprendi a me reerguer.
Foi me perdoando que aprendi a prosseguir.
Foi na escuridão que aprendi o valor da luz,
Pois não existe cima sem baixo,
Não existe amor sem dor."
- Então o que isso quer dizer? - disse o filho reflexivo.
- Que o perdão é a chave de tudo. Certas coisas são inevitáveis de se escapar e se você aprende a contorná-las a felicidade aparece. Perdoa a ti mesmo e verás um novo mundo ao seu redor. Deixe-a ir meu filho, eu sei que dói, mas tente se perdoar.
- Eu vou tentar... Farei tudo o que me disse e seguirei todos os conselhos que ela uma vez sussurrara em meus ouvidos. Eu sei que de certa forma ela queria o meu bem, mas não farei isso por ela, farei por mim! Pois eu sei que mereço algo além dessa escuridão.
- Todos merecemos, meu filho. Todos merecemos.
As nuvens que antes pairavam, agora se esvaem. E ambos admiram a brilhante Lua flutuar no céu.
A melancolia do Domingo me pegou mais uma vez.
Tomado por esse vazio irracional,
Tento me lembrar da última vez que fiquei assim.
Esse sentimento que alastra e traz consigo a angústia.
Solidão.
Quem realmente está ao meu lado?
Revisito em minha cabeça os acontecimentos dos últimos anos
E são poucos aqueles que permaneceram comigo.
Pra onde a vida há de me levar?
Solidão.
Me arrebata a mente esse sentimento nostálgico,
Sinto em minhas veias as memórias do passado.
Ah, e como dói!
Escuto frequentemente que pareço ser mais novo do que sou.
Que tenho o rosto de alguém de 21 anos.
Mas agora eu aos meus 26, crio essa sensação de que nunca envelheço ou que nunca vou crescer.
Mas quem realmente cresce?
Não somos todas crianças fingindo ser algo que não somos pra agradar alguém que fingimos querer?
A vida é uma jornada, não destinos.
E essa jornada é um eterno aprendizado.
Revisito as memórias do passado e me vem essa sensação
De que por mais eu tenha vivido,
Ainda assim, não me sinto crescido.
Quando será o meu ápice?
E minha queda?
Sinto falta dos velhos tempos, mas sei que não vão voltar mais.
Eu só tenho o agora.
Sobrevivemos a uma pandemia que dizimou muitas vidas.
A custo de quê?
Será que todos superaram?
Difícil dizer.
São tempos estranhos esses que vivemos.
Estão sempre anunciando o fim do mundo pela TV.
Eu olho pra trás e sinto que depois da Covid, nada será como antes.
E que antes disso era realmente uma outra vida.
Será que vivo numa simulação do meu próprio ser?
Não importa.
Porque já aceitei que nada será como antes.
E o que me resta é somente o agora.
(Até o futuro nos foi tirado!)
E onde havia grandes pastos verdejantes
Toma o lugar um cinza,
Quente
Como lava.
O próprio inferno veio nos abençoar.
Mas é assim a vida.
Cíclico.
O poder de criar também é o mesmo de destruir.
Como no hinduísmo,
Um amigo meu me explicou uma vez...
São três entidades, a que cria, a que conserva e a que destrói.
É o equilíbrio.
Pra uma nova história nascer,
Outra deve perecer.
Pessoas devem ir embora
Pra que outras tomem o lugar
E povoem com a alegria da vida.
Talvez seja essa a dificuldade da solidão.
De entender que há momentos que nenhum e nem outro acontece, mas só a existência de nós mesmos.
Prefiro não me alongar.
Mas ao invés de lamento,
Gratidão.
Que hoje seja o fim e começo de um ciclo.
Afinal, devo agradecer por minha semana,
Mas também devo agradecer pela próxima.
Que nada seja o mesmo
E que a maré da mudança me traga águas rasas e cristalinas.
Que eu possa contemplar em seu sorriso
O início e o fim do universo.