quarta-feira, 2 de setembro de 2026

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Cachorro de Rua

 

Às vezes me sinto como um cachorro de rua. Aquele que foi adotado por uma família e finalmente descobriu o que é o amor. Mas, por ser criado pelo mundo, às vezes sentia que não me cabia ali. Era ordem demais! "Não se deve latir." "Não suba no sofá!" Poxa, eu só queria ser eu mesmo! Eu fui criado na rua e agora que eu tenho tudo que desejava, uma casa, comida e uma família que me ama, parecia ser tudo aquilo que eu precisava.

Com o tempo, as coisas foram deixando de ser fáceis. Uma reclamação aqui e outra ali passaram a não ser suficientes pra mim. Nada me corrigia. Até que um dia, depois de tanto ser xingado, fui agredido, porém resolvi revidar. E não teve outra. Foi justamente por tentar ser eu mesmo que fui mandado embora. 

Minha dona não gostou nada do que viu. Pior! Me enganou. Me colocou dentro de um carro, me enchendo de promessas e me deixando todo alegre. Mas justamente, quando estávamos no meio do nada, ela me tirou daquele carro e ali me deixou. Eu, com medo e perdido, não sabia o que fazer. Minha dona já não sabia mais onde eu estava. E muito menos sabia eu seu endereço. É claro que não sabia! Afinal nunca precisei decorar. 

Agora me encontro assim. Seguindo em frente, pois não conseguiria sobreviver no meio daquele nada. Segui adiante, assustado e sem rumo. Solidão ou liberdade? Eu já não sei. Só que eu vim das ruas. Sei muito bem como agir por essas áreas. Às vezes lembro dela e dos bons momentos que tivemos juntos. É triste pensar que um dia tive tudo o que sempre sonhei - casa, comida e amigos - e triste pensar que teve seu fim. Só que eu sempre fui assim, um cachorro bem vagabundo.

Acontece

 

Te desejo sorrir enquanto o caos acontece.

Te desejo sorrir enquanto a vida se reinventa.

Uma parte sua ainda habita o meu ser.

Seja numa memória,

Num cheiro,

Num olhar perdido entre multidões.

Uma parte de mim sente falta

E procura

Àquilo que havíamos deixado de lado por tanto tempo.

Eu sei que você nunca vai chegar a ler isso daqui,

Mas so queria te dizer

Que acontece.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Reflexão sobre o sucesso

 Sucesso



Honestamente, foi somente hoje que percebi que ao longo de minha vida tive diversas tentativas pífias de atingir o sucesso. Onde o qual estive constatemente atrelado a perseguir e hipnotizado com a ideia de se conquistar. Mas afinal, o que seria o Sucesso? Por que temos essa vontade avassaladora de querer atingi-lo? Vontade essa que nos domina e tenta nos transmitir uma mensagem, ou melhor dizendo, necessidade de preenchimento, de paz e muitas vezes de objetivo; a linha de chegada.

Então por que conquistar algo que nem ao menos se sabe o que é? Sucesso - algo que é um mito pessoal, individual.

Entretanto, devido ao sistema em que estamos envolvido, o sucesso se tornou só mais um produto midiático. Ou seja, a todo momento e em qualquer lugar que se vai, sempre, e digo sempre, nos é passado uma e somente uma ideia de Sucesso. Aquele em que você, cidadão de qualquer país do globo, deverá trabalhar arduamente durante muitos anos de sua vida para acumular capital, se aposentar, constituir família e passar a genética do consumidor para frente. Pois bem, tudo se resume a comprar, comprar e comprar…

A mídia expõe que você só será feliz rico, que só será feliz se tiver um certo produto. A própria felicidade vendida em garrafas. Propagandas, o tempo todo, escancaram que você deve estar em estado de completa felicidade, de eterna satisfação e na realidade não é bem assim que as coisas funcionam.

Também é imposto a você que deve trabalhar. Trabalhar até morrer e morrer de se trabalhar. Pois essa será a única forma de conseguir dinheiro, seu trabalho não é nada menos que uma pequena engrenagem de consumo que movimenta a grande roda do capitalismo. Não há mais tempo de se viver a vida, de senti-la e experimentar sua essência, é tudo tão rápido e quando dá-se conta, já está tudo acabado.

Então, é iniciado a última fase da vida, a velhice, onde todo o trabalho árduo se deu fruto. O esforço só foi recompensador se por toda sua vida juntou alguma migalha para se aproveitar o final (isso se conquistar o final com uma boa saúde para não ter que se gastar tudo com médicos e remédios). Pra quê esperar tanto para se viver? Por que se atrelar tanto a algo para no final ver tudo sendo tomado pelo beijo do anjo do tempo? Nada neste mundo irá atravessar com você para o outro lado! É preciso aproveitar o tempo que nos é dado, afinal, nunca se sabe quando a mística foice do universo irá te pegar. Viva um pouco e se preocupe menos.

E por fim, a outra ideia que está enraizado em nossa mente e de qualquer outro ser vivo: A perpetuação da espécie. Ou o que comumente é conhecido a nós humanos como “constituir uma família”. Para muitos, isso é sim uma grande realização, porém, a forma como isto é imposto deque toda mulher deve casar, de que temos de ter filhos, ser um cidadão de bem, etc... É grosseiro! Mas desce por nossas goelas com tanta facilidade e naturalidade. A filosofia cristã apascenta a mentalidade de puritanismo e negligencia qualquer outra manifestação de afeto e liberdade. E com isso, inclui-se a ideia de família. Uma luta em que hoje já se tem mostrado o contrário. A felicidade não é inclusa ao se atrelar eternamente com outra. Ela é “compartilhada”.

E muitas pessoas acabam nem conseguindo esse feito. São deixadas à margem disso, “ficam pra titia.” Ninguém roga por elas. Só corroboramos para a sua baixa autoestima e, consequentemente, depressão (quiçá suicídio). Afinal de contas, quem não tem a sua “alma gêmea” não é nada, então o que seríamos se não corpos vazios vagando na eternidade? Mais uma das diversas mentiras que nos são contadas.

É necessário que se rompa com esses estigmas. Cortemos logo, e pela raíz, as mudas da normalização e  padronização da felicidade e do sucesso. O sucesso, como dito antes, é individual. A busca pelo autoconhecimento nos é capaz de revelar quem e o que é necessário para nos preencher. Mas a você, o que é o Sucesso?

O Sucesso pode ser para alguns a conclusão de uma meta de vida, seja ela sair de casa, conseguir um emprego dos sonhos, etc; Pode ser traçar o seu próprio caminho e confiar nas próprias escolhas, sem o medo de que irá falhar; Saber que as coisas irão mudar e estar aberto a essa mudança; Sucesso é imaginar um futuro onde todos respeitam aos outros, aos animais, a própria Terra e ao menos tentar ou mudar, nem que seja um pouco, a mentalidade de alguém - Trazê-las à Evolução (Seja ela Espiritual, Intelectual, etc.). Sucesso - aquilo que sucede; aquilo que se resulta de algo. Sucesso, meta ou consequência da força de vontade? Todos a avistamos de longe, mas são poucos os que a tocam. Seja forte, seja bravo, confie em si mesmo, ache seu próprio sucesso e domine-o. 









Texto de Cris del Mar.



21 de julho de 2020


Ode à Maria Clara

 

E seus sorrisos,

Mais poderosos que qualquer olhar sedutor
Me aquecem,
Como um forte abraço
Dos mais pardos ursos da floresta.


21/10/16

Pensamentos Livres #23

 

Ela espera por nós
Quando cruzamos os corredores
Quando desligamos a luz
Quando vemos um estranho
É o fim da linha



Versão Original:


She’s waiting for us
When you turn through the corners
When you turn off the lights
When you see a stranger
It’s the end of the line



30/04/19

quinta-feira, 30 de julho de 2026

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Estrada rosa cetim

 

Estrada rosa cetim

Atravessando entre a cidade
Montanha do sacrifício
Acabando com a puberdade

Facada fatal
Fúria e caos
Morte súbita e
Primordial

Força de Deus
Vontade que seduz
Desejos meus
Que a morte produz


Seus beijos roubados
Seu corpo selado


Venha anjo,
Dominar minha mente
Matar tanta gente
Que julga ser inocente


12/10/16

Ode à Letícia

 

Pretos cabelos cobrindo a sua face
Fazendo-a sorrir para o além.
À espera de que um dia a dor passe,
Seus poemas me fazem tão bem


22/10/16

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Pensamentos Livres #21

 


A poesia dança na minha mente por meio da palavra
Se expressa pela a minha fala
E se perpetua através da escrita



05/07/20

A Porta Para O Outro Lado


Eles são loucos,

Crescentes,
Dançando entre a noite
Em um turbilhão de fogo e caos.

Esse mundo está chamando
De volta a chama inicial.
Esse mundo está morrendo
Esperando por você e eu.


Nos reconstruímos da fumaça púrpura

Onde o vento sopra pro norte,
Nos guia para o frio,
Onde nos resta só a morte.


A mulher-anja retornou para abdicar-se de seu trono
Sua Terra Natal já não é mais a mesma.


Onde havia percussionistas ossudos
cultuando um falso Deus,
Agora há a luz limpa da esperança
que pernoita em nossas cabeças.


E todos a avistam,
Com suas mentes explodidas,
De tanto conhecimento que Deus

lhe concebeu.


E de longe,
A mulher-anja sorri
Abraçada ao seu homem-estrela.


E pelo deserto da transcendência
nós passamos,
Atravessando as dunas do passado,
Rumo a um futuro desconhecido,
Rumo ao outro lado…


06/09/16

terça-feira, 14 de julho de 2026

*Poesia Sem Nome #07*



Foi na presença da morte que aprendi a me reerguer.

Foi me perdoando que aprendi a prosseguir.

Foi na escuridão que aprendi o valor da luz,

Pois não existe cima sem baixo,

Não existe amor sem dor.


24/07/2024

*Poesia Sem Nome #06*

 

Lá fora,

Um silêncio cortado

Pelo vento frio da manhã.


Aqui dentro,

Um calor quase uterino,

Aquecendo o corpo


E a alma,

E uma cabeça cheia de sonhos.

Pensando:


"É aqui que eu preciso estar".

Esperando,

Pelo sino da morte 


Cujo ressoar

 há de cortar 

E romper o reino de véu


E me colocará

Sobre os trilhos da realidade

Onde, em marcha, eu devo


SEGUIR

SE-GUIR

SE

GUIR

e

ser.

Desmitificação

 

E se no final for somente isso? 

Uma estranha melancólico acompanhada de trovejantes felicidades.

Uma leve sensação de estagnação, junto de um punhado de mudança.

Uma vontade incrível de viajar pelas estradas da vida

E um desejo implementado por uma falsa esperança,

Uma falsa melhora,

Uma falsa estadia de paz.

Uma cena do filme que nunca chegaremos a ver. Porque,

Por mais que o roteirista da vida tenha formulado,

O diretor lá de cima se recusa a filmar.


Talvez não exista nada, 

Só sonhos marcados pra morrer.

E aqui estou no meio desse maremoto,

Sem saber pra que lado guiar meu barco.

Sem saber o verdadeiro destino dessa viagem.


terça-feira, 2 de junho de 2026

*Poesia Sem Nome #05*

 

Ondas balançam inquietantemente,

Enquanto a areia cobre nossos pés.

Seu cabelo toca meu rosto

Numa sinfonia decatônica,

Numa agonia simétrica.

Nós rimos e nos beijamos,

Dançamos

Pela noite adentro,

Sabendo que o sol tocará nossos cabelos

E que ainda sorriremos um para o outro.

Por ora,

Eu só queria que esta noite nunca acabasse.





Restless waves swaying

And sand covering our feet

Your hair touches my face

In a decatonic symphony,

In a symmetric agony

We laugh and kiss

And dance

Throughout the night

Knowing that the sun will kiss our hair

And we will still be smiling at each other

For now,

I just wish this night would never end.





segunda-feira, 17 de março de 2025

Ode ao acaso

 

O poema a seguir foi um exercício praticado em uma aula de Artes. A tarefa era escolher alguma reportagem (a qual foi sobre terror slasher) e recortar diversas palavras. As palavras eram colocadas em algum recipiente onde tive de pegar sem ver e formar uma poesia feita ao acaso. A cada palavra tirada um verso aparecia.



Podridão humana
desconhecido
pulsa
  humanidade
psicológico
sangue
  cruas
 irreal
 o medo
Pesadelo
Slasher
Terror


Podridão Humana
Humanidade
Cruas
O Medo 
Slasher
Terror


Pulsa
Sangue
Pesadelo
Terror


Desconhecido
Psicológico
Irreal
Terror


Data: 11/03/2025



Things Have Changed: Entendendo os significados da música de Bob Dylan


O comentário de Dylan em estar deslocado do mundo, mesmo estando junto a ele - aqui, mas não aqui - se espalha múltiplas vezes em suas canções. Nunca esteve lá desde o começo - Times they are a-changing lançou uma certeza que corria em várias outras canções antigas.

O problema com Times, no entanto, era que a canção mais famosa de Dylan estava fora de sincronia com o resto do álbum, que dizia claramente que os tempos não estavam mudando e que, por exemplo, os horrores da pobreza e exploração rural, ou do racismo e da injustiça, estavam preso na sociedade e nas políticas americanas. 


Então que coisas mudaram? Bem, apenas porque o cantor que antes costumava a se importar, mas agora nem se dá o trabalho de fazer isso.

De fato, foi isso o que Dylan disse abertamente quando ele ganhou o seu Oscar - ele a chamou de uma música que "não anda com rodeios nem faz vista grossa para a natureza humana."

Claro que musicalmente, a partir do desenvolvimento de seu imagético surreal que chegou com o desenvolvimento da instrumentação voltada para o rock no trabalho de Dylan, é possível encontrar mudanças. Mas em termos de natureza humana, do momento em que "Hollies Brown puxa seu gatilho" e "a noite começa a pregar peças quando está tentando ficar quieto" tudo começa a se desmoronar para sempre. Bob tem seus momentos de felicidade em momentos como no interlúdio Country Pie ou em momentos parecidos, mas a sensação que ele deixa em suas obras refletem em como ele é, às vezes se importando e às vezes não.

 Nessas canções, existe uma certa frequência em que o ouvinte se pergunta "O que está acontecendo?" Seja dentro ou fora da música. Mas, se há uma canção onde mais se encontra essa indagação é em "Things Have Changed".


Um homem preocupado
Com uma mente preocupada
Ninguém na minha frente
E ninguém atrás

O verso inicial é o suficiente para guiar o destino da canção, ou melhor, que não se faz ideia de qual direção ela poderá ir. E quando menos se espera, o ouvinte percebe que o cantor está falando sobre uma mulher "bebendo champanhe, com sua pele branca e olhos de assassino."

"Olhos de assassino? O que seriam olhos de assassinos?" Não fica bem claro, já que ela vem de outro mundo. Aqui, o deslocamento é completo. A única certeza é de que há um olhar e pronto.


De pé na forca
Com a cabeça em uma corda
A qualquer momento
Espero que o inferno se espalhe

Neste mundo, as pessoas vêm e vão, falando, mas sem dizer nada. O passado ainda não aconteceu, o futuro foi ontem. Eu sou você, você é ele e ele não é. T.S. Elliot chuta seu verso para o subconsciente de Dylan mais uma vez: 

Ruas que seguem como um argumento tedioso

De intenção insidiosa

Para levá-lo a uma pergunta esmagadora

Oh, não pergunte "O que é?"

Vamos fazer nossa visita

Na sala as mulheres vêm e vão

Falando de Michelangelo.

A névoa amarela que esfrega suas costas nas vidraças,

A fumaça amarela que esfrega seu focinho nas vidraças,

Lambe suas línguas nos cantos da noite,

Permanece sobre as poças que ficaram nos ralos


É claro que ele deveria estar em Hollywood, fazendo aulas de dança, vestindo-se de Drag. Ele deveria, pois aqui já não resta nada para se provar. O problema é que em todo lugar, não há nada a se provar, a névoa amarela envolve tudo.

Sua voz está cansada e o acompanhamento controlado e bem ensaiado, o pulso moderado, não tem nenhuma tentativa de se tornar uma performance virtuosa, não há nenhuma mudança inesperada de acordes, porque não são os músicos individuais que fazem o ponto - o ponto é a situação, aquele mundo que deu errado. Naquele mundo, é possível se apegar a constância da música, porque não há outra constância. 


Sinto como se estivesse me apaixonando

Pela primeira mulher que me aparecer

Colocando-a em um carrinho de mão

E a empurrando pela rua

(Onde mais se colocaria uma mulher de olhos assassinos enquanto uma névoa amarela se enrola ao redor e as classes cultas falam sem dizer nada?)


E quando o ouvinte já se acostuma com a estranheza e começa a criar clareza com o que Dylan diz, ele subitamente...

Sr. Jinx e Sra. Lucy pularam no lago

Eu não estou tão ansioso para cometer um erro

Sr. Jinx era um personagem do desenho Pixie e Dixie. Hoje, o Sr. Jinx está disponível em diversos merchandisings. Talvez fosse um momento passageiro do personagem de desenho animado, ou talvez seja uma reflexão, para mostrar que ele também não é real. Exceto que não há distinção entre real e irreal.

E a música continua, usando sua rotina de três acordes com acompanhamento simples. O cantor não fica animado. Existe um continuum, mas continua não fazendo nenhum sentido. 


Link para a música Things Have Changed.

Link para o momento em que Bob Dylan ganha um Oscar.




Fonte: Things Have Changed: The meanings behind the Bob Dylan's song

Traduzido por: Cris del Mar

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Celebração Do Lagarto

Tradução do poema Celebration of the Lizard de Jim Morrison, tocado pela banda The Doors.



Celebração do Lagarto


Leões nas ruas & vagueando
Cachorros no cio, raivosos, espumando
Uma fera enjaulada no coração da cidade

O corpo de sua mãe
Apodrecendo no chão veranil.
Ele fugiu da cidade.

Ele foi para o Sul
E cruzou a fronteira
Deixando o caos & desordem
Ali atrás
Sobre seu ombro.

Numa manhã ele acordou em um verde hotel
Com uma estranha criatura gemendo ao seu lado.
Suor escorria de sua pele brilhante.

Tá todo mundo aí?
Tá todo mundo aí?
Tá todo mundo aí?
A cerimônia está para começar.



Acorde!
Você não consegue lembrar onde esteve.
Esse sonho tinha terminado?
A serpente era de ouro pálido, envidraçada & encolhida.
Tinhamos medo de tocá-la.
Os lençóis eram quentes prisões mortas
E ela estava ao meu lado, velha,
Ela não, era; jovem.
Seu escuro cabelo ruivo.
A macia pele branca.
Agora, corra até o espelho no banheiro,
Olhe!
Ela está vindo aqui.
Eu não posso viver em cada lento século de seu movimento.
Eu deixo minha face escorregar
Na úmida superfície gelada.
Sinto o bom e frio sangue ardente.
O brando sibilante das serpentes na chuva...



Outrora eu tive, uma brincadeira
Eu gostava de rastejar, de volta para dentro de meu juízo
Acho que você sabe, qual a brincadeira que quero dizer
Me refiro ao jogo, chamado ‘enlouquecer’

Agora você deveria tentar, esta brincadeira
Só feche os olhos, esqueça seu nome
Se esqueça do mundo, se esqueça das pessoas
E nós ergueremos, uma torre diferente.

Esta brincadeira, é divertida de se fazer.
Só feche os olhos, não há como perder
E eu estou bem aqui, também estou indo
Perca o controle, estamos avançando

Cavando de volta ao juízo
Regresando e passando pelo reino da dor
De volta aonde nunca teve nenhuma chuva.

E a chuva cai suavemente pela cidade
E sobre a cabeça de todos nós
E nos labirintos de fluxos
Abaixo, a calma e sobrenatural presença de
Apreensivos moradores das colinas ao redor,
Répteis infestando
Fósseis, cavernas, ar fresco das montanhas.


(Cada casa repete um molde
            Janelas cerradas, bruto carro
                      Trancado até o amanhecer.
Todos agora dormindo, tapetes em silêncio,
                    Espelhos vagos, poeira cega
                              sob a cama


Do casal legitimado vexame
          nos lençóis & filhas,
                      garridas com sêmen, olhos
                                            nos mamilos dela.)


Espere!


Houve uma chacina por aqui.
            (sirene)

            (Não pare para falar ou olhar ao redor
            Sua luvas & seu leque estão no chão
            Estamos deixando a cidade
            Estamos adentrando a jornada
            E você é aquela que eu quero que venha)



Sem tocar a terra
Sem olhar o Sol
Nada resta a fazer,
Senão marchar, marchar, marchar
Vamos marchar

Casa no topo da colina
A Lua está imóvel
Sombras das árvores
Testemunhando a briza selvagem
Venha bebê
Marche comigo
Vamos marchar

Marche comigo
Marche comigo
Marche comigo,
Vamos marchar

A mansão é calorosa no topo da colina
Fino são os quartos & os confortos de lá
Vermelhos são os braços das luxuosas cadeiras
& você nada saberá até que se adentre.


O cadáver do presidente está no carro do motorista
O motor funciona à base de grude e piche
Venha comigo, nós não estamos tão longe
Para Leste para encontrarmos com o Czar.


Marche comigo
Marche comigo
Marche comigo,
Vamos marchar


Alguns foras-da-lei vivem à margem do lago

A filha do pastor está apaixonada por uma serpente

Que vive em um poço à beira da estrada

Acorde, garota, estamos quase em casa.

Devemos ver os portões logo pela manhã,
Devemos estar lá dentro ao anoitecer.

Sol Sol Sol
Queima Queima Queima
Logo Logo Logo 


Lua-Lua-Lua
Eu vou te pegar
Em breve
Em breve
Em breve!




                (Silvo)

Deixem os sinos do carnaval tocar
Deixem a serpente cantar
Deixem tudo


                (Sinos)

                 Desbotamento

             Noite no Deserto

              Vozes do Fogo


“Nós viemos de rios & estradas 

Nós viemos de florestas & cascatas 

Nós viemos de Carson & Springfield
Nós viemos da dominada Phoenix 

E eu posso lhe contar os nomes do Reino

Eu posso lhe contar das coisas que você conhece

Escutando por um punhado de silêncio
Escalando vales dentro da escuridão”







                      Sons do fogo

            (sibilos, cascavéis, castanholas) 


“ Eu sou o Rei dos Lagartos
Eu posso fazer qualquer coisa
Eu posso fazer a Terra parar de seu curso
Eu fiz os carros azuis irem embora.


Por sete anos eu habitei

Nos amplos palácios do exílio,

Jogando jogos estranhos

com as garotas da ilha.

Agora eu retorno
Para a terra dos justos, & dos fortes, & dos sábios.


Irmãos e irmãs da pálida floresta
Oh Crianças da Noite
Quem entre vocês irá marchar com a caçada? 


                                                              -Gritos de assentamento-


Agora a Noite chega com sua púrpura legião
Aposente-se agora para as suas tendas & para os seus sonhos
Amanhã entraremos na cidade do meu nascimento
Eu quero estar preparado.”


Música

-Desbotamento-
Fim









Music by The Doors
Copyright 1970. Doors Music Co.
Traduzido por Cris del Mar