A sua hipocrisia me comove
Às vezes, para você, tudo isso seja culpa do Karma.
Para mim, foi apenas imposição.
Minha dona não gostou nada do que viu. Pior! Me enganou. Me colocou dentro de um carro, me enchendo de promessas e me deixando todo alegre. Mas justamente, quando estávamos no meio do nada, ela me tirou daquele carro e ali me deixou. Eu, com medo e perdido, não sabia o que fazer. Minha dona já não sabia mais onde eu estava. E muito menos sabia eu seu endereço. É claro que não sabia! Afinal nunca precisei decorar.
Agora me encontro assim. Seguindo em frente, pois não conseguiria sobreviver no meio daquele nada. Segui adiante, assustado e sem rumo. Solidão ou liberdade? Eu já não sei. Só que eu vim das ruas. Sei muito bem como agir por essas áreas. Às vezes lembro dela e dos bons momentos que tivemos juntos. É triste pensar que um dia tive tudo o que sempre sonhei - casa, comida e amigos - e triste pensar que teve seu fim. Só que eu sempre fui assim, um cachorro bem vagabundo.
Te desejo sorrir enquanto o caos acontece.
Te desejo sorrir enquanto a vida se reinventa.
Uma parte sua ainda habita o meu ser.
Seja numa memória,
Num cheiro,
Num olhar perdido entre multidões.
Uma parte de mim sente falta
E procura
Àquilo que havíamos deixado de lado por tanto tempo.
Eu sei que você nunca vai chegar a ler isso daqui,
Mas so queria te dizer
Que acontece.
Sucesso
Texto de Cris del Mar.
21 de julho de 2020
E seus sorrisos,
21/10/16
Ela espera por nós
Quando cruzamos os corredores
Quando desligamos a luz
Quando vemos um estranho
É o fim da linha
Versão Original:
She’s waiting for us
When you turn through the corners
When you turn off the lights
When you see a stranger
It’s the end of the line
30/04/19
Algumas coisas duram por anos, outras apenas uma noite. Nunca se sabe quando tudo pode se acabar.
Estrada rosa cetim
12/10/16
22/10/16
A poesia dança na minha mente por meio da palavra
Se expressa pela a minha fala
E se perpetua através da escrita
05/07/20
Eles são loucos,
Crescentes,
Dançando entre a noite
Em um turbilhão de fogo e caos.
Esse mundo está chamando
De volta a chama inicial.
Esse mundo está morrendo
Esperando por você e eu.
Nos reconstruímos da fumaça púrpura
Onde o vento sopra pro norte,
Nos guia para o frio,
Onde nos resta só a morte.
A mulher-anja retornou para abdicar-se de seu trono
Sua Terra Natal já não é mais a mesma.
Onde havia percussionistas ossudos
cultuando um falso Deus,
Agora há a luz limpa da esperança
que pernoita em nossas cabeças.
E todos a avistam,
Com suas mentes explodidas,
De tanto conhecimento que Deus
lhe concebeu.
E de longe,
A mulher-anja sorri
Abraçada ao seu homem-estrela.
E pelo deserto da transcendência
nós passamos,
Atravessando as dunas do passado,
Rumo a um futuro desconhecido,
Rumo ao outro lado…
06/09/16
Lá fora,
Um silêncio cortado
Pelo vento frio da manhã.
Aqui dentro,
Um calor quase uterino,
Aquecendo o corpo
E a alma,
E uma cabeça cheia de sonhos.
Pensando:
"É aqui que eu preciso estar".
Esperando,
Pelo sino da morte
Cujo ressoar
há de cortar
E romper o reino de véu
E me colocará
Sobre os trilhos da realidade
Onde, em marcha, eu devo
SEGUIR
SE-GUIR
SE
GUIR
e
ser.
E se no final for somente isso?
Uma estranha melancólico acompanhada de trovejantes felicidades.
Uma leve sensação de estagnação, junto de um punhado de mudança.
Uma vontade incrível de viajar pelas estradas da vida
E um desejo implementado por uma falsa esperança,
Uma falsa melhora,
Uma falsa estadia de paz.
Uma cena do filme que nunca chegaremos a ver. Porque,
Por mais que o roteirista da vida tenha formulado,
O diretor lá de cima se recusa a filmar.
Talvez não exista nada,
Só sonhos marcados pra morrer.
E aqui estou no meio desse maremoto,
Sem saber pra que lado guiar meu barco.
Sem saber o verdadeiro destino dessa viagem.
Ondas balançam inquietantemente,
Enquanto a areia cobre nossos pés.
Seu cabelo toca meu rosto
Numa sinfonia decatônica,
Numa agonia simétrica.
Nós rimos e nos beijamos,
Dançamos
Pela noite adentro,
Sabendo que o sol tocará nossos cabelos
E que ainda sorriremos um para o outro.
Por ora,
Eu só queria que esta noite nunca acabasse.
Restless waves swaying
And sand covering our feet
Your hair touches my face
In a decatonic symphony,
In a symmetric agony
We laugh and kiss
And dance
Throughout the night
Knowing that the sun will kiss our hair
And we will still be smiling at each other
For now,
I just wish this night would never end.
O poema a seguir foi um exercício praticado em uma aula de Artes. A tarefa era escolher alguma reportagem (a qual foi sobre terror slasher) e recortar diversas palavras. As palavras eram colocadas em algum recipiente onde tive de pegar sem ver e formar uma poesia feita ao acaso. A cada palavra tirada um verso aparecia.
O comentário de Dylan em estar deslocado do mundo, mesmo estando junto a ele - aqui, mas não aqui - se espalha múltiplas vezes em suas canções. Nunca esteve lá desde o começo - Times they are a-changing lançou uma certeza que corria em várias outras canções antigas.
O problema com Times, no entanto, era que a canção mais famosa de Dylan estava fora de sincronia com o resto do álbum, que dizia claramente que os tempos não estavam mudando e que, por exemplo, os horrores da pobreza e exploração rural, ou do racismo e da injustiça, estavam preso na sociedade e nas políticas americanas.
Então que coisas mudaram? Bem, apenas porque o cantor que antes costumava a se importar, mas agora nem se dá o trabalho de fazer isso.
De fato, foi isso o que Dylan disse abertamente quando ele ganhou o seu Oscar - ele a chamou de uma música que "não anda com rodeios nem faz vista grossa para a natureza humana."
Claro que musicalmente, a partir do desenvolvimento de seu imagético surreal que chegou com o desenvolvimento da instrumentação voltada para o rock no trabalho de Dylan, é possível encontrar mudanças. Mas em termos de natureza humana, do momento em que "Hollies Brown puxa seu gatilho" e "a noite começa a pregar peças quando está tentando ficar quieto" tudo começa a se desmoronar para sempre. Bob tem seus momentos de felicidade em momentos como no interlúdio Country Pie ou em momentos parecidos, mas a sensação que ele deixa em suas obras refletem em como ele é, às vezes se importando e às vezes não.
Nessas canções, existe uma certa frequência em que o ouvinte se pergunta "O que está acontecendo?" Seja dentro ou fora da música. Mas, se há uma canção onde mais se encontra essa indagação é em "Things Have Changed".
Um homem preocupado
Com uma mente preocupada
Ninguém na minha frente
E ninguém atrás
O verso inicial é o suficiente para guiar o destino da canção, ou melhor, que não se faz ideia de qual direção ela poderá ir. E quando menos se espera, o ouvinte percebe que o cantor está falando sobre uma mulher "bebendo champanhe, com sua pele branca e olhos de assassino."
"Olhos de assassino? O que seriam olhos de assassinos?" Não fica bem claro, já que ela vem de outro mundo. Aqui, o deslocamento é completo. A única certeza é de que há um olhar e pronto.
De pé na forca
Com a cabeça em uma corda
A qualquer momento
Espero que o inferno se espalhe
Neste mundo, as pessoas vêm e vão, falando, mas sem dizer nada. O passado ainda não aconteceu, o futuro foi ontem. Eu sou você, você é ele e ele não é. T.S. Elliot chuta seu verso para o subconsciente de Dylan mais uma vez:
Ruas que seguem como um argumento tedioso
De intenção insidiosa
Para levá-lo a uma pergunta esmagadora
Oh, não pergunte "O que é?"
Vamos fazer nossa visita
Na sala as mulheres vêm e vão
Falando de Michelangelo.
A névoa amarela que esfrega suas costas nas vidraças,
A fumaça amarela que esfrega seu focinho nas vidraças,
Lambe suas línguas nos cantos da noite,
Permanece sobre as poças que ficaram nos ralos
É claro que ele deveria estar em Hollywood, fazendo aulas de dança, vestindo-se de Drag. Ele deveria, pois aqui já não resta nada para se provar. O problema é que em todo lugar, não há nada a se provar, a névoa amarela envolve tudo.
Sua voz está cansada e o acompanhamento controlado e bem ensaiado, o pulso moderado, não tem nenhuma tentativa de se tornar uma performance virtuosa, não há nenhuma mudança inesperada de acordes, porque não são os músicos individuais que fazem o ponto - o ponto é a situação, aquele mundo que deu errado. Naquele mundo, é possível se apegar a constância da música, porque não há outra constância.
Sinto como se estivesse me apaixonando
Pela primeira mulher que me aparecer
Colocando-a em um carrinho de mão
E a empurrando pela rua
(Onde mais se colocaria uma mulher de olhos assassinos enquanto uma névoa amarela se enrola ao redor e as classes cultas falam sem dizer nada?)
E quando o ouvinte já se acostuma com a estranheza e começa a criar clareza com o que Dylan diz, ele subitamente...
Sr. Jinx e Sra. Lucy pularam no lago
Eu não estou tão ansioso para cometer um erro
Sr. Jinx era um personagem do desenho Pixie e Dixie. Hoje, o Sr. Jinx está disponível em diversos merchandisings. Talvez fosse um momento passageiro do personagem de desenho animado, ou talvez seja uma reflexão, para mostrar que ele também não é real. Exceto que não há distinção entre real e irreal.
E a música continua, usando sua rotina de três acordes com acompanhamento simples. O cantor não fica animado. Existe um continuum, mas continua não fazendo nenhum sentido.
Link para a música Things Have Changed.
Link para o momento em que Bob Dylan ganha um Oscar.
Fonte: Things Have Changed: The meanings behind the Bob Dylan's song
Traduzido por: Cris del Mar
Tradução do poema Celebration of the Lizard de Jim Morrison, tocado pela banda The Doors.
Celebração do Lagarto
Leões nas ruas & vagueando
Cachorros no cio, raivosos, espumando
Uma fera enjaulada no coração da cidade
O corpo de sua mãe
Apodrecendo no chão veranil.
Ele fugiu da cidade.
Ele foi para o Sul
E cruzou a fronteira
Deixando o caos & desordem
Ali atrás
Sobre seu ombro.
Numa manhã ele acordou em um verde hotel
Com uma estranha criatura gemendo ao seu lado.
Suor escorria de sua pele brilhante.
Tá todo mundo aí?
Tá todo mundo aí?
Tá todo mundo aí?
A cerimônia está para começar.
Acorde!
Você não consegue lembrar onde esteve.
Esse sonho tinha terminado?
A serpente era de ouro pálido, envidraçada & encolhida.
Tinhamos medo de tocá-la.
Os lençóis eram quentes prisões mortas
E ela estava ao meu lado, velha,
Ela não, era; jovem.
Seu escuro cabelo ruivo.
A macia pele branca.
Agora, corra até o espelho no banheiro,
Olhe!
Ela está vindo aqui.
Eu não posso viver em cada lento século de seu movimento.
Eu deixo minha face escorregar
Na úmida superfície gelada.
Sinto o bom e frio sangue ardente.
O brando sibilante das serpentes na chuva...
Outrora eu tive, uma brincadeira
Eu gostava de rastejar, de volta para dentro de meu juízo
Acho que você sabe, qual a brincadeira que quero dizer
Me refiro ao jogo, chamado ‘enlouquecer’
Agora você deveria tentar, esta brincadeira
Só feche os olhos, esqueça seu nome
Se esqueça do mundo, se esqueça das pessoas
E nós ergueremos, uma torre diferente.
Esta brincadeira, é divertida de se fazer.
Só feche os olhos, não há como perder
E eu estou bem aqui, também estou indo
Perca o controle, estamos avançando
Cavando de volta ao juízo
Regresando e passando pelo reino da dor
De volta aonde nunca teve nenhuma chuva.
E a chuva cai suavemente pela cidade
E sobre a cabeça de todos nós
E nos labirintos de fluxos
Abaixo, a calma e sobrenatural presença de
Apreensivos moradores das colinas ao redor,
Répteis infestando
Fósseis, cavernas, ar fresco das montanhas.
(Cada casa repete um molde
Janelas cerradas, bruto carro
Trancado até o amanhecer.
Todos agora dormindo, tapetes em silêncio,
Espelhos vagos, poeira cega
sob a cama
Do casal legitimado vexame
nos lençóis & filhas,
garridas com sêmen, olhos
nos mamilos dela.)
Espere!
Houve uma chacina por aqui.
(sirene)
(Não pare para falar ou olhar ao redor
Sua luvas & seu leque estão no chão
Estamos deixando a cidade
Estamos adentrando a jornada
E você é aquela que eu quero que venha)
Sem tocar a terra
Sem olhar o Sol
Nada resta a fazer,
Senão marchar, marchar, marchar
Vamos marchar
Casa no topo da colina
A Lua está imóvel
Sombras das árvores
Testemunhando a briza selvagem
Venha bebê
Marche comigo
Vamos marchar
Marche comigo
Marche comigo
Marche comigo,
Vamos marchar
A mansão é calorosa no topo da colina
Fino são os quartos & os confortos de lá
Vermelhos são os braços das luxuosas cadeiras
& você nada saberá até que se adentre.
O cadáver do presidente está no carro do motorista
O motor funciona à base de grude e piche
Venha comigo, nós não estamos tão longe
Para Leste para encontrarmos com o Czar.
Marche comigo
Marche comigo
Marche comigo,
Vamos marchar
Alguns foras-da-lei vivem à margem do lago
A filha do pastor está apaixonada por uma serpente
Que vive em um poço à beira da estrada
Acorde, garota, estamos quase em casa.
Devemos ver os portões logo pela manhã,
Devemos estar lá dentro ao anoitecer.
Sol Sol Sol
Queima Queima Queima
Logo Logo Logo
Lua-Lua-Lua
Eu vou te pegar
Em breve
Em breve
Em breve!
(Silvo)
Deixem os sinos do carnaval tocar
Deixem a serpente cantar
Deixem tudo
(Sinos)
Desbotamento
Noite no Deserto
Vozes do Fogo
“Nós viemos de rios & estradas
Nós viemos de florestas & cascatas
Nós viemos de Carson & Springfield
Nós viemos da dominada Phoenix
E eu posso lhe contar os nomes do Reino
Eu posso lhe contar das coisas que você conhece
Escutando por um punhado de silêncio
Escalando vales dentro da escuridão”
Sons do fogo
(sibilos, cascavéis, castanholas)
“ Eu sou o Rei dos Lagartos
Eu posso fazer qualquer coisa
Eu posso fazer a Terra parar de seu curso
Eu fiz os carros azuis irem embora.
Por sete anos eu habitei
Nos amplos palácios do exílio,
Jogando jogos estranhos
com as garotas da ilha.
Agora eu retorno
Para a terra dos justos, & dos fortes, & dos sábios.
Irmãos e irmãs da pálida floresta
Oh Crianças da Noite
Quem entre vocês irá marchar com a caçada?
-Gritos de assentamento-
Agora a Noite chega com sua púrpura legião
Aposente-se agora para as suas tendas & para os seus sonhos
Amanhã entraremos na cidade do meu nascimento
Eu quero estar preparado.”
Música
-Desbotamento-
Fim