quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Pensamentos Livres #01

 Ontem eu sonhei com a minha morte.
Foi assombrosamente pavoroso.
Porém, vívido como um gozo.
E Ima-cu-la-do.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

O que ainda resta de bom neste planeta


Algum lugar,

Onde o Sol bate nas copas das árvores e

Penetra sua folhagem.

Onde o vento sopra

Trazendo as boas novas do leste.



Onde a água flui

Com suas correntes cristalinas,

Que saem das entranhas de rochas escondidas,

E os peixes,

Ah, os peixes que sambam na margem o tango da vida.


Onde os bichos correm

Livres e soltos,

Praticam a sua ginástica natural.

Se alimentam de uns aos outros,

E se tornam vivos.


Um lugar...

Para se visitar,

Para querer habitar,

Mas para se preservar

O que ainda resta de bom neste planeta.









(Fonte: https://br.depositphotos.com/portfolio-2550635.html?content=photo)




(14/11/2022)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

O Homem Anjo


O homem anjo veio

Para trazer a paz na Terra

Ele está assustado, 

Mas ainda assim luta

Pra deixar tudo fresco e imaculado. 


“Saia da pálida luz azul

Antes que você se machuque.


Faça a si mesmo confortável, 

Pois a viagem apenas começou.”


Ele está vindo direto do Sol

E veste um belo par de asas douradas

Me diz para espalhar

Uma nova espécie de alegria.


Comece  fazendo as pazes com seus demônios,

Dance com eles.

Continue a clamar e a cantar

Dance até o anoitecer.

Ninguém daqui sairá vivo.


Vamos amor,

Fazer uma viagem para o outro lado

Só precisamos de um carro,

Um trem,

Ou uma estrada para voar.


Como alguém antes disse:

“Vamos se mandar daqui,

Antes que tudo se consuma em chamas.”


Vamos fazer um segredo para os antigos.

Vamos viver pela esperança do amanhã.

Nós vamos ter muita diversão hoje à noite.

Vamos logo se ressoar pela estrada.


Eu prometo que você irá gostar


Nós vamos continuar

A sermos livres e selvagens

E então vou te mostrar

Outro dia mais claro

Você verá,

Eu prometo.




01/02/2022





(Anjo Caído - Alexandre Cabanel, 1868)


terça-feira, 18 de maio de 2021

Poeta da Guerrilha

 

A maioria das pessoas quando veem um poeta pensam logo em um ser amoroso, lúdico, que vive com a cabeça entre as nuvens. E de fato estamos. Mas há também de lembrar dos outros poetas. Aqueles que enxergam além da verdade. A poesia de guerrilha. Que apontam o dedo na cara e ainda discute. Aqueles que olham pra vida e ainda mais. Muito mais. Que enxergam a beleza na própria melancolia e tornam o caos do mundo mais belo. Devem lembrar que existe, não o poeta, mas a própria poesia. Que habita nele e em nós. Que habita em qualquer lugar. E o papel dele é informar, informar que existe essa beleza na vida. Informar que não só o amor rima com dor, mas quiçá o pavor. O pavor de viver, de se arrastar a cada dia que passa. Levantar-se e correr pra mais uma rotina de labuta. Esse poeta não descansa, pois ele respira e destila palavras. Tenta capturá-las como uma criança que tenta estourar bolhas de sabão. Esse tipo de poeta guerreia consigo mesmo. “Senta-te, velho sarnento! E vá escrever.” É isso que querem faça. Mas a arte vem de forma espontânea e se ele não se alimentar não poderá criá-la. Seja de pão ou seja de álcool, o poeta arranja uma forma de sobreviver. Como Rimbaud saindo do próprio inferno. Sua luta diária não se limita ao horizonte. Vai para todos nós. Que possamos enxergar a vida de forma mais leve e bela. E quem sabe pegar emprestado os teus olhos e ver, nem que seja por um curto período de tempo, o mundo com uma perspectiva completamente diferente. 

quinta-feira, 18 de março de 2021

A Hard Rain's A-Gonna Fall


Onde estaremos quando tudo isso acabar? O que será de nós,
Após todo esse caos que a tormenta faz passar
Reencontraremos aqueles que amamos?
Seguiremos atrás de nossos sonhos?

Uma incógnita!
A ansiedade corrói minha mente.
Terei de pensar em outra cousa,
Senão irei me corromper!

Porém as nuvens são mais negras e mais densas,
Os trovões barulhentos e estrondosos
E os relâmpagos, mesmo que distantes,
Assustam os cachorros da alma.

Sentimo-nos preparados,
Mas não há nada o que fazer
A não ser esperar pelo Sol!

O Sol e sua glória apolínea,
Pois com o vento trará a mudança.
E de longe,
Bem à margem do futuro,
Encontrará, vinda pela nau de velas brancas,
A esperança.

Pois é nela a única coisa que nos resta.
Ela que espantará a tempestade
E trará calmaria para a alma.
E mesmo que mais uma chuva venha por outrora...
Será ela de quem me lembrarei.
Aquela que salvou de me afogar nos auto-medos da memória.